terça-feira, 18 de outubro de 2011

Epifania.

Há alguns meses, Deus enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom.
De repente, nossas vidas cruzadas ali, por puro mistério. Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegida, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido.
Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético dele. Aqueles olhos azuis me olhavam e me reconheciam como outra pessoa.
Nunca mais vou sair do centro desse espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair desse colo quente.
Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu o olhava de volta: uma pequena epifania.
Hoje, retomo esse momento de mel que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecida. Essa pequena epifania.


por nossos quase 10.

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